domingo, 28 de março de 2010

Mensagem para os próximos anos


MENSAGEM PARA OS PRÓXIMOS ANOS
marcos leonidio
 
Desejo-lhe muitas alegrias:
algumas por bom comportamento
outras por rebeldia
algumas por conformismo
outras pela coragem em mudar.
 
Desejo-lhe também afeto:
conquistado através de novas paixões
reafirmado por antigos amores
cultivado por amores presentes
reavivado pela vontade em viver plenamente.
 
Desejo-lhe fortes emoções,
do ponto de vista positivo.
Algumas inesperadas e surpreendentes
outras sonhadas e envolventes.
 
Desejo-lhe eventuais recomeços
após dolorosas tempestades
e manhãs azuladas
após madrugadas de intenso frio.
 
Desejo-lhe reencontros inesperados
após ausências indefinidas
e reconciliações abruptas
após conflitos sem fundamento.
 
Desejo-lhe tantas coisas
entre tantas outras coisas menos importantes.
Desejo-lhe tantas coisas
entre tantas outras coisas muito importantes.
 
Quero reafirmar que nossa ligação é essencial-humana,
tem premissas, tem regulações, tem aferições,
tem predisposições e outras intenções.
Mas, sua existencialidade
é regida pelo incodicional bem-querer.
Caminhe em frente e vez por outra, olhe para o lado!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Carta à alguém


Carta à alguém

Para mim você morreu!
Não do ponto de vista físico.
Eu diria até que, de forma mais profunda:
você morreu existencialmente.

Suas últimas ações, seu comportamento em relação a mim,
dizimaram todas as coisas boas que nos ligavam fraternalmente.
Seus atos apagaram o passado, repudiaram o presente
e inviabilizaram qualquer futuro que conceba-nos na mesma esteira.

A admiração, o respeito, o bem querer
não foram capazes de suplantar toda esta decepção.
Não lhe quero ver, não lhe quero entender,
não lhe quero perceber.
Espero envelhecer sem me lembrar de você!

Traiçoeira, matreira são adjetivos
que lhe caem bem.
Egoísta e egocêntrica, mesquinha
em sua soberba, você foi além:
do permitido, do suportável, do aceitável,
do perdoável [...]
Adeus! Até nunca mais...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Caos Social



CAOS SOCIAL
marcos leonidio

Com a alma ensanguentada
em face à tantas indefinições sociais
sigo tentando transcender
a tudo isso
adiando compromissos existenciais
a cada alvorecer

Noites dessas, sonhei que
meu corpo estava enlameado de sangue
dos pés a cabeça
a guerra urbana não dava trégua
havia se expandido a níveis incontroláveis
eram tantas balas perdidas
tantas almas perdidas
tantas novas feridas
que manter-se vivo
era ganhar na loteria!

Com a alma manchada de vermelho,
tentava fugir pelos cantos
mas os cantos estavam obstruídos por espelhos
refletindo [...]
inquietante e profundo desespero!

domingo, 1 de novembro de 2009

Os valores nutricionais da cultura



Os valores nutricionais da cultura
m.l.

Os valores nutricionais da cultura são inquestionáveis,
seus alcances são difíceis de mensurar, de enxergar a olho nu.
Porém, pode-se afirmar que seus nutrientes são altamente benéficos,
para mente e para o corpo, para a matriz e seu entorno;
suas vitaminas têm sustância e pujança,
são hereditariedades que transformarão a vida das próximas gerações.

Mais do que racionais, matemáticos, estatísticos!
Os valores da cultura são universais e não podem ser confiscados.
Podem sim, ser ampliados, cultivados e espalhados,
mesmo em campos, ainda infertéis [...]

A cultura possibilita um novo tempo, uma nova perspectiva,
uma real harmonização, entre o ator, seu ambiente e seus pares.
"Emburrecer" gerações e gerações de pessoas é um retrocesso maligno, atroz,
capaz de obscurecer, jogar nas trevas, o futuro de uma criança, de uma família,
de uma comunidade, de um território, de uma cidade, ou talvez, de uma nação!

É preciso ter acesso ao conhecimento, e principalmente, dar acesso a ele.
A capacidade de absorver, assimilar e processar idéias,
é inata ao ser humano; uns com muito brilhantismo,
outros, com menos, não importa [...]
só assim, se fará justiça social com solidez.

A cultura diferencia o ser humano das outras espécies animais,
é o ponto transformador da evolução da raça humana e do mundo,
apesar de em alguns momentos, provocar um colapso existencial,
quase transformado em involução parcial da espécie.

Não podemos esquecer que vivemos a Era do Conhecimento!
A ciência, a web e outras importantes ferramentas multimídia,
já estão transformando tudo e numa velocidade impressionante;
eu diria até, que rápido demais.

Com bom senso, cada um tem que fazer algum esforço,
senão o abismo entre as pessoas mais favorecidas e as menos favorecidas
tende a se ampliar, desfavorecendo o equilíbrio da sociedade,
da economia, da natureza e por conseqüência do planeta.

- Então:
Mastiguemos, respiremos e transpiremos cultura!
Acionemos nosso senso crítico, sobre os nossos atos, com bastante altivez!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

poesia leminskiana



poesia leminskiana
m.l.

a coisa leminskiana é assim:
ampla, densa, curta e grossa, recomposta de atributos
revolucionários, é intensa, propensa a fazer refletir,
mesmo quem está de má vontade ou sofre de inércia inata;
é frutífera, fértil, febril,
processo em constante erupção;
é razão envolta em sentimentos,
é momento presente, passado nostálgico, futuro envolvente.

a coisa leminskiana é assim:
enviesada, aguçada, orgânica - tem vida própria,
é imprópria para os reacionários, é alentadora para os sonhadores,
acredita em sociedades alternativas, não tem medo de expor as feridas,
satiriza a elite dominante, acredita na verdade dos olhos,
ainda assim, tem romantismo, não gosta de pieguismo,
não é compromissada com meias-verdades,
é profundamente extraordinária, se finge de rasa,
mas é paradoxalmente robusta, profunda,
abunda as possibilidades de quem as lê!

a coisa leminskiana é assim:
miscigenada como nosso Brasil, é negra-brasileira, polonesa-japonesa,
se faz em haicais,
mas profere as melhores terminologias em canções,
quase esquecidas;
tem vida própria, se espalha feito fogo em ambiente inflamável;
com um detalhe: é por demais duradoura [...]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ContrABalançO



contrabalanço
marcos leonidio

Na vida há muito mais perdas
do que ganhos!
Capitalize beijos, abraços, afagos,
boas amizades, emoções inatas, momentos de prazer...
E outros casos!
Viva a vida com a alegria de um iniciante.
Não hesite muito em suas decisões,
se for o caso, corrija a rota, aprume o leme,
e siga em frente.
Lamente as ausências,
mas festeje as presenças,
principalmente, as que lhe façam bem.
Não transforme tudo a sua volta,
pode parecer artificial demais.
Incorpore as dificuldades e lapide
com competência os relevos mais contundentes,
o suficiente,
para não arruinar suas perspectivas existenciais!

domingo, 20 de setembro de 2009

Necessidades




Essa necessidade de estar inserido na sociedade contemporânea como consumidor, como potencial gerador de riqueza pra terceiros, como público-alvo de algum segmento, como receptor de demanda, como hospedeiro de novas tendências de mercado [...] está nos transformando em cobaias sub-humanas de uma sociedade mercantilista.

Tudo gera consumo: notícias especulativas, pressupostos, tragédias enviesadas, versões mal-fundamentadas, ensaios de outrem, especulações estapafúrdias, teorizações infames, obrigatoriedades públicas, febres repentinas de novos conceitos, produtos, serviços, etc. Condições comerciais que antes eram veladas, são usadas como isca, para seduzir o consumo desenfreado, o consumo pelo consumo, sem uma razão clara e objetiva, senão o interesse de pequenos, poderosos e restritos grupos.

É preciso desmembrar todos os aspectos que circundam essa avalanche de ofertas. Olhe pra dentro de si e desmistifique a opressão que está lhe corroendo por todos os lados, crie uma outra alternativa, capaz de transformar suas angústias atemporais, em realidades qualificadas, menos densas.

Não podemos continuar nessa toada, reféns do mercado (fértil criador de necessidades, "desnecessárias"). Temos que evoluir introspectivamente; involuir quanto às conquistas materiais, blindando assim, nossas fraquezas mercadológicas e emocionais.

m.l.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Outras possibilidades


m.leonidio

há outras possibilidades
mesmo na adversidade

em plena guerra
a esperança definha
atrocidades vil
são cometidas

ainda sim
crianças sonharão
não haverá fim
novas manhãs reacenderão
as chamas da esperança

há outras possibilidades
mesmo na adversidade

no limite da indisposição
ainda é possível reagir
encontrar uma razão
para naturalmente emergir

mesmo na adversidade
haverá outras possibilidades!